Revista (a) Ler: um número para a ciência

Fevereiro 9, 2010 · Deixe um Comentário

A edição de Fevereiro da Revista Ler é um verdadeiro regalo para todos os amantes de ciência (e literatura). E volta a colocar sobre a mesa o debate projectado por C.P. Snow com o seu livro As Duas Culturas (1959), que questiona a distância (ou proximidade?) entre as Ciências Humanas e as Ciências Exactas.

Só para abrir ainda mais o apetite: há uma entrevista com o físico António Manuel Baptista, conduzida por Carlos Vaz Marques, um ensaio de Jorge Buescu (“As batalhas pela Ciência”), textos de Nuno Crato e de Rogério Casanova e ainda uma rubrica com a sugestão de leitura de 50 livros de ciência.

E tudo isto, para quê? «Para que “letras e ciências” alguma vez se encontrem nas nossas vida», escreveu em editorial Francisco José Viegas (escritor e director da Revista Ler).

Publicado por Sílvio Mendes

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Vê-se à segunda (2): Ali G, o divulgador de ciência

Fevereiro 8, 2010 · Deixe um Comentário

Há muito que não se via um apresentador de televisão tão familiarizado com todos os termos científicos. Ali G, a primeira das personagens mais mediáticas de Sacha Baron Cohen, vai a todas, fazendo enquadramentos perfeitos de temas fracturantes como a “tecmologia”, o evolucionismo vs criacionismo e a (alegada?) inevitabilidade de sermos todos Homo Sapiens.

No segundo vídeo, Ali G abre o livro da astronomia e faz piadas secas sobre Lua. Pelo meio, entrevista Buzz Aldrin, o segundo homem a pisar a superfície lunar e com tanta sensibilidade para o humor como o primeiro para a investigação. Dois vídeos curtos e obrigatórios do mais improvável divulgador de ciência do novo milénio.

Publicado por Sílvio Mendes

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Ronda rápida por blogues de ciência: Peixes lembram, abelhas reconhecem

Fevereiro 3, 2010 · 1 Comentário

Um grupo de investigadores australianos parece (mesmo que involuntariamente) estar empenhado em deixar cair por terra um dos maiores mitos do mundo da ictiologia. O seu estudo, com base no comportamento da perca prateada, não só conclui que os peixes podem lembrar-se dos seus predadores pelo menos durante um ano, como aposta que possuem uma admirável capacidade de aprendizagem.

A informação pode ser lida em qualquer membro do cardume noticioso mundial, mas é justo dizer-se que a encontei no blog PlanetBio. A ciência a fazer a Dory corar de vergonha?

Noutros voos, um estudo publicado no Jornal da Biologia Experimental arrisca que as abelhas podem diferenciar pessoas através da observação do seu rosto, como pode ler-se no blog ÓcioCientífico.

No ar ou no mar, o caminho do conhecimento é longo e a travessia científica não pára de nos surpreender.

Publicado por Sílvio Mendes

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Vê-se à segunda: Darwin à escala dos Simpsons e de South Park

Fevereiro 1, 2010 · Deixe um Comentário

Nova rubrica arranca hoje no Blogue VAC. Vídeos improváveis, bastante prováveis ou assim-assim (sobre ciência ou à volta dela) passam aqui no blogue, sempre à segunda-feira. Lógica surrealista (onde também cabe um documentário da BBC ou um anúncio de um hiper-mercado) inaugurada com pompa e circunstância através das lentes de duas das mais irreverentes séries de animação norte-americanas. Dispensam mais apresentações: venham as fitas.

South Park

The Simpsons

Publicado por Sílvio Mendes

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Ciência e Literatura (7): “Confissão”, de Bulhão Pato

Janeiro 29, 2010 · Deixe um Comentário

«Fui na infância católico exaltado;
Tudo era para mim edificante,
Ver o altar, ver o trono cintilante,
Ouvir na igreja a voz do órgão sagrado!

Foi-se apagando o amor arrebatado,
E a ciência levou-me num instante,
Com o sopro glacial e penetrante,
O edifício de luz do meu passado!

Deitei-me aos pés dos grandes missionários,
Na eloquência e na fé extraordinários;
Nenhum deles me deu sombras d’esp’rança!

Ó crenças infantis, talvez agora,
Volteis a mim, ardentes como outrora:
Diz-se que um velho torna a ser criança!… »

Bulhão Pato — Bilbau, Espanha, 1829-1912

Publicado por Pedro Falcão

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Música e Ciência: a sinfonia que remistura conhecimento

Janeiro 28, 2010 · Deixe um Comentário

Aí está uma forma original de transmitir conhecimento científico e filosofia ao grande público: através da música. The Symphony of Science é o nome do projecto iniciado em 2009 e liderado por John Boswell, que oferece, no seu website, vídeos, letras, músicas (disponíveis para download) e links para assuntos científicos (relacionados com os temas de cada música).

O vídeo-exemplo que aqui partilhamos chama-se “The Unbroken Thread“, é um hino à biodiversidade, e recorre a imagens imortalizadas por nomes como David Attenborough, Jane Goodall, e Carl Sagan. É o quarto vídeo do projecto. Os outros três podem também ser vistos por .

Publicado por Sílvio Mendes

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Ciência e Literatura (6): Alberto Caeiro e a metafísica

Janeiro 27, 2010 · 1 Comentário

«Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso eu do mundo?
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que ideia tenho eu das coisas?
Que opinião tenho eu sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das coisas? Sei lá o que é o mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas coisas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.

Mas que melhor metafísica que a delas
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber o que não sabem?

“Constituição íntima das cousas”…
“Sentido íntimo do Universo”…
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em coisas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das coisas
É acrescentando, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.
O único sentido íntimo das coisas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.»

Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos / V

Publicado por Pedro Falcão

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Macau abre as portas do seu primeiro Centro de Ciência

Janeiro 26, 2010 · Deixe um Comentário

Vista Exterior do Centro de Ciência de Macau, © CCM

«Arrastou-se durante vários anos, perdeu dimensão por via dos arranha-céus que nasceram nas imediações, foi inaugurado em Dezembro com pompa, circunstância e honras de Hu Jintao. Ontem, abriu finalmente as portas ao público, sem estar porém a funcionar na totalidade. Há quatro galerias ainda em construção, mas há muito para ver (e tocar) no Centro de Ciência de Macau.» (Ler texto de Isabel Castro no jornal macaense Ponto Final)

O projecto arquitectónico tem a assinatura de I.M. Pei (o mesmo que concebeu a Pirâmide do Louvre, em Paris) e oferece espaço para um Centro de Exibições, um Planetário e um Centro de Conferências. Isto, à margem das 14 galerias de ciência, pensadas para todas as faixas etárias, que se dedicam a áreas como a robótica, a astronomia, a ecologia, a saúde no desporto e a ciência alimentar, entre outras. Einstein, Newton, Goldbach e Darwin dividem as galerias para os mais pequenos, numa divisão espacial que não esquece também uma abordagem às ciências e tecnologias antigas da China.

Interior do Centro de Ciência de Macau, © Isabel Castro (Ponto Final)

Mais: Museu de Ciência de Macau (Website oficial)

Publicado por Sílvio Mendes

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Arte e Ciência com Darwin: ‘Exuberâncias da Caixa Preta’ no Porto até Março

Janeiro 25, 2010 · 1 Comentário

É Darwin sob todos os prismas: pintura, desenho, escultura, peças de anatomia e taxidermia, uma peça anatómica de um cérebro humano e até mesmo a primeira edição de um livro seu.

A exposição de arte e ciência chama-se “Exuberâncias da Caixa Preta” (a propósito do livro “A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais”, de Charles Darwin) e apresenta, em 270 metros quadrados, «uma visão mais contemporânea da obra de Darwin». Fica no Museu Soares dos Reis, Porto, até 21 de Março de 2010.


Publicado por Sílvio Mendes

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Ciência e Literatura (5): Miguel Torga e o progresso da medicina

Janeiro 22, 2010 · Deixe um Comentário

«Coimbra, 6 de Março de 1953 – Piorei da saúde. A máquina, à medida que os anos passam, vai pondo à mostra o desgaste dos rodízios. O caruncho começa a esfarelar o travejamento do corpo. Os inevitáveis sinais duma velhice que se aproxima, e de que tenho um terror que só ela sabe… Mas ao averiguar esta manhã o grau de mazelas que me roem, confesso que não foi o meu caso em si o que mais me interessou. Embora habituado, por ofício, a análises e radiografias, impressionou-me sobretudo o aspecto impessoal do problema. Época diabólica esta, em que podemos assistir num laboratório ao doseamento da energia que nos resta!

Dantes, a morte parecia-nos vir de fora, num ataque bruto e frontal. Agora, não. Agora conseguimos vê-la crescer em nós, milimetricamente, insidiosamente, como uma semente na terra ou um afecto no coração.

A olhar tubos de reacção alinhados e coloridos, onde uma subtil turvação é uma sentença sem apelo, até me esqueci de que o sangue era meu, empolgado como fiquei pelo progresso metódico de uma ciência universal, inexorável, que vai devassando esta última intimidade do mundo que era a vida. Abdiquei do meu próprio terror, encadeado pelo brilho da alquimia. Mais uns passos, e seremos transparentes como cristal. Transparentes à semelhança dos relógios, garantidos por um determinado tempo. Ao lado da data de nascimento, da altura e da cor dos olhos, teremos no cartão de identidade mais esta indicação preciosa: o dia prefixo do óbito.»

Miguel Torga, Diário VI, Coimbra, 1953, p. 178 e 179

Publicado por Sílvio Mendes

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