Os Sons da Ciência (34): Promover, Inspirar e Educar em tons de azul

Sob o mote Promover, Inspirar e Educar  nasce o projecto Our Blue: um vídeo, uma música e uma acção inovadora de consciencialização e angariação de fundos para a preservação do oceano.

Tudo começou em 2010 com um pequeno grupo de instrutores de mergulho no Egipto e adaptações de músicas como Bohemian Rhapsody dos Queen e Ticket to Ride dos Beatles. O sucesso online ( já têm mais de seis mil membros no grupo do facebook) incentivou-os a mergulhos mais profundos e aventuraram-se a escrever, compor e filmar material original. O resultado de 10 meses de filmagens e centenas de mergulhos foi o vídeo de 7 minutos “Our Blue” pelos Tank Bangers. Com este vídeo, o grupo pretende alertar para a fragilidade do meio ambiente e para o impacto que as nossas acções têm no seu declínio. Podemos comprar a música no website  dos Tank Bangers. Os fundos angariados serão depois distribuídos por organizações de conservação dos oceanos e Cancer Research UK – segundo os Tank Bangers «é importante cuidar também das pessoas». E porque é que nos devemos importar com os oceanos? O vídeo “blue wonder” pode explicar (tentem não se focar só  na imagem do “hello”).

Publicado por Sílvia Castro

Os Sons da Ciência (33): Fé e ciência balançam nos versos dos The Script

Science  & Faith (2010) dá nome ao  segundo álbum dos The Script e à  quarta faixa do mesmo.

O refrão da música remete-nos para o antigo duelo entre a fé e a ciência, como dois antagonistas, titãs, a debaterem-se pelas nossas almas e totalmente incompatíveis no mesmo contexto espácio-temporal:

«You won’t find faith or hope down a telescope
You won’t find heart and soul in the stars
You can break everything, got the chemicals
But you can’t explain a love like ours.»

Resistindo ao ímpeto de enveredar pelas teias da teologia, contesto simplesmente que a ciência também exige uma grande dose de fé e de esperança. Cada vez que olhamos através dum microscópio, para observamos as células mais pequenas, ou através dum telescópio, para observarmos as estrelas mais brilhantes, fazêmo-lo com fé e esperança de descobrirmos um pouco mais sobre o mundo que nos rodeia. E, não consigo resistir, faço-o sempre com admiração pela evolução que nos conduziu até o Aqui e o Agora.

Publicado por Sílvia Castro

Ronda rápida por blogues de ciência (3): 2011 e os livros de divulgação de ciência em português

O divulgador de Ciência, António Piedade, apresenta uma lista de livros portugueses dedicados à divulgação de ciência e publicados em 2011. No Blogue De Rerum Natura, Piedade expões as suas escolhas e não lhes poupa elogios: «2011 deu à estampa alguns volumes que vão ficar (já estão) na galeria dos melhores livros de sempre de divulgação de ciência em língua portuguesa».
Vejamos então quais as obras que destacou:

:: “Haja Luz! – Uma história da Química através de tudo”, Jorge Calado, Imprensa do Instituto Superior Técnico

:: “A História Química de uma Vela, Michael Faraday, (Tradução e anotações de Sérgio Rodrigues e Maria Isabel Prata; Prefácio de Sebastião Formosinho), Imprensa da Universidade de Coimbra,

:: “Breve História da Química, Regina Gouveia, Editora 7 dias, 6 noites

:: “Dicionário de Geologia”,
A.M. Galopim de Carvalho, Âncora Editora
“Estas máquinas chamadas Mundos”, Eduardo Ivo Alves, Imprensa da Universidade de Coimbra;

:: “A Aventura da Terra – Um planeta em evolução
, Vários autores (Coordenação: Maria Amélia Martins-Loução), Esfera do Caos

:: “Pelo sistema solar vamos todos viajar
, Regina Gouveia, Gatafunho

:: “Vida no Universo, João Lin Yun, Editorial Presença

:: “O Grande Inquisidor
, João Magueijo, Gradiva

:: “Egas Moniz. Uma biografia
, João Lobo Antunes, Gradiva.

:: “Migrações: das Células aos Cientistas
, Coordenação Maria de Sousa, Esfera do Caos

:: “Uma Tampa para cada Tacho – Conflitos Genéticos e Evolução
, Francisco Dionísio, Bizâncio

:: “Darwin aos Tiros e outras Histórias de Ciências
, Carlos Fiolhais e David Marçal, Gradiva

:: “Casamentos e Outros Desencontros
, Jorge Buescu, Gradiva

Alguns leitores do post reclamam também a inclusão na lista de um livro do próprio António Piedade. Aqui fica ele:

:: “Caminhos de Ciência
, António Piedade, Imprensa da Universidade de Coimbra

No post original, António Piedade chama a atenção para a subjectividade deste tipo de listas sempre incompletas e convida os leitores a darem o seu contributo, complementando-a. Deixamos aqui também o mesmo desafio.

Publicado por Sílvio Mendes

Os Sons da Ciência (32): Third rock – a música do espaço


A ciência é uma aventura e a exploração espacial é eternamente apletiva! Espaço a última fronteira (Space: the final frontier) – a frase de abertura dos inúmeros episódios do Star Trek – marcou uma geração e, para mim, o fascínio pela descoberta de outros mundos e aventuras. No entanto, naveguei por outros mares e embarquei noutras descobertas mas sempre com uma banda sonora porque não há aventura sem música.

Relembro agora, com ternura, as horas intermináveis que passei no microscópio confocal a adquirir imagens de neurónios fluorescentes. A música, a minha companheira que me proporcionava momentos de alegria e de descobertas magníficas! A melhor de todas foi a KEXP, uma rádio de Seattle que me fazia ficar sempre bem-disposta: eu podia estar no escuro durante horas mas Seattle acordava inadvertidamente para um dia chuvoso… Depois foi a Pandora, uma das primeiras rádios online personalizadas. Pouco tempo depois desta descoberta, a rádio passou a estar acessível somente a partir dos Estados Unidos.

No entanto, o fascínio pelo espaço continua presente e agora até já tenho a banda sonora para a viagem: Third Rock. A Third Rock é uma rádio online desde 12 de Dezembro com um alinhamento peculiar: música fantástica e notícias da NASA. Sim, essa mesmo: a National Aeronautics and Space Administration. Entre uma música dos Arcade Fire e outra dos The XX, são incorporadas  notícias da NASA, saudações dos colaboradores, reportagens sobre o dia-a-dia dos cientistas e engenheiros da NASA, etc.

Desta forma, a NASA aposta na exploração de novos formatos para comunicar ciência e angariar apoio junto da audiência 4G , constituída por jovens adultos – uma das denominadas hard to reach.

Agora que já temos banda sonora, se alguém sabe o que se ouve no espaço é a NASA e até vamos aprendendo algumas coisas: só faltam os 200,000$ para reservar um dos lugares nos voos suborbitais da Virgin Galactic. Um passo de cada vez…

Publicado por Sílvia Castro

“É terça-feira e a Feira da Ladra…” (3): A vida de Sir Alexander Fleming



Muito discretamente, resguardava-se a vida de Sir Alexander Fleming (1881-1955) numa banca de livros da Feira da Ladra. Apanhámo-la. Ou melhor, resgatámos uma edição da Penguin Books (em inglês) do livro The Life of Sir Alexander Fleming, da autoria de André Maurois [1885-1967] (famoso biógrafo que se notabilizou com livros em torno de figuras como Lord Byron, Mary Shelley e Benjamin Disraeli).

Alexander Fleming, nome eternamente associado à descoberta da penicilina, recebeu o Prémio Nobel da Medicina em 1945 e foi um dos mais brilhantes investigadores do século passado. O resto da história é para ficar a saber após a leitura deste livro.

Repetimos a receita: Não fazemos revenda dos livros que descobrimos, mas estamos dispostos a oferecer os produtos aqui apresentados ao primeiro que se candidatar a levantá-lo em mãos. Em troca apenas pedimos conteúdos originais sobre ciência (fotografias, desenhos, vídeos, textos, etc…) que servirão, também eles, de alimento para este blogue.

Para além do livro aqui apresentado, temos também ainda disponível o livro “Os Mensageiros Secundários”, de Clara Pinto Correia.

O achado:
Título:
The Life of Sir Alexander
Editora:
Penguin Books
Data de edição:
1963
(versão inglesa)

Custou na Feira da Ladra:
0,5 euros

Publicado por Sílvio Mendes

Os Sons da Ciência (31): O jovem Fausto Bordalo Dias e as explorações espaciais


A rubrica Os Sons da Ciência volta a Fausto Bordalo Dias. Pouco tempo depois de o artista apresentar o disco Em busca das Montanhas Azuis (2011), fazemos uma viagem de 41 anos até à primeira música do primeiro EP que Fausto editou, em 1970.
Madrugada é o tema de abertura de Fausto (1970) e conta a história de um homem e uma mulher que se cruzam de madrugada, essa hora “toda feita de cansaço”. E o que aconteceu? “Ele lia o jornal,/ O sinal mudou,/ Ela atravessou,/ Num adeus final”. E ‘dentro do jornal’, uma reflexão com alguma ironia sobre os horizontes da ciência e das explorações espaciais:

«Estados Unidos da América: Cientistas afirmam que as explorações espaciais levarão ao progresso do mundo e às portas do céu.»

Publicado por Sílvio Mendes

“É terça-feira e a Feira da Ladra…” (2): Os “Mensageiros” na Feira


Desde muito novo que acompanho o trabalho da Professora Clara Pinto Correia, tanto através das entrevistas que dava na televisão, como através das suas obras de divulgação científica. Lembro-me de ter lido, ainda no ensino secundário, o livro “Clonai e multiplicai-vos” (1997), em que a autora explicava os conceitos da clonagem, o modo como as novas técnicas poderiam ser úteis para futuras investigações e desmistificava alguns receios infundados; tudo isto, tendo por base a sua experiência laboratorial desenvolvida nos E.U.A. em clonagem de embriões de mamíferos. Mais tarde, a autora achou-se na necessidade de voltar a este tema, desenvolvendo um trabalho mais completo, virado para um público-alvo especializado, do qual resultou o livro “Clones Humanos – a nossa autobiografia colectiva” (1999), e que foi leitura proposta no nosso mestrado.

Apesar das várias publicações nas áreas da Divulgação e História das Ciências, talvez a autora seja mais conhecida pelos seus romances. Embora muitos destes estejam disponíveis nas livrarias, há alguns muito difíceis de encontrar, como por exemplo “Os Mensageiros Secundários”. Aqui, o título tem múltiplos significados que vamos descobrindo ao longo do livro; em ciência, um mensageiro secundário é uma molécula envolvida em reacções bioquímicas que permite a passagem de sinais extracelulares para o interior da célula. Neste livro, a autora consegue coligir várias temáticas de um modo coerente, sendo uma leitura interessante para quem gosta de temas como ciência, história, religião, suspense e mistério.

Menciono este livro porque procurei-o durante vários anos e só consegui adquiri-lo num alfarrabista. Actualmente, tenho dois exemplares deste livro, porque a minha mãe, desconhecendo que eu já possuía um exemplar, adquiriu outro numa visita à Feira da Ladra, há uns anos atrás. “Vê lá, nem imaginas quanto custou o livro”, disse-me quando chegou a casa. Fiquei a saber que o tinha comprado por apenas 1€!! Atendendo ao interessante conteúdo do livro, assim como à dificuldade em encontrá-lo no mercado, é caso para dizer que foi uma verdadeira pechincha.

O achado:
Título: “Os Mensageiros Secundários”
Editora
: Relógio D’Água
Data da (2ª) Edição
: 2000
Custou na Feira da Ladra
: 1€

Publicado por João Monteiro

Literatura e Ciência (24): Raul Brandão, um instinto naturalista e uma ode às aves


A citação é longa, o que obriga poupança na descrição. Em 1923, Raul Brandão publicava uma arrebatadora descrição da costa portuguesa e da vida que se desenvolve em torno do mar. Os pescadores é poesia, é antropologia, é jornalismo, é amor a um povo e a todas as suas contradições.
Aqui, deixamos um excerto que descreve, com alma naturalista, alguns hábitos das aves que «fazem ninho nos areais despovoados» e chocam num buraco os ovos pintalgados». Sem mais palavras, eis o pedaço de mar.

«Ao fim da tarde, sento-me no paredão do farolim. O mar calmo, a Outra Banda verde, a costa perdida em bruma violeta e o cabedelo entre o rio azul e o mar azul. Atrás de mim acende-se o farol, e na areia um bando de gaivotas aninhadas grasna baixinho.

A felicidade é aquilo. Mergulham, patinham na água e levantam voo de repente, embebendo-se no azul para caírem a prumo sobre as mantas de petinga. As mais novas, as grazinas, nadam numa poça, outras desfolham-se em revoadas sobre a onda e outras andam à tripa na restinga. Tenho visto muitos ninhos, mas nunca encontrei pedras nem ninhos de gaivota…

Ei-las outra vez que se juntam num grasnido insolente, com os pés metidos no azul… Um bando de maçaricos-reais voa ao lume de água. Do mar cresce o pó verde. A capelinha do Senhor da Pedra, lá ao longe, ainda reluz. Mas os ninhos… Só mais tarde, muito tarde, é que descobri que as gaivotas, os borrelhos e o alguivão, fazem ninho nos areais despovoados, chocando num buraco os ovos pintalgados. Fazem-nos também, e principalmente, nas Berlengas. Aquilo é delas e do céu. É um espectáculo enternecedor vê-las de pé sobre uma pedra e à roda os pequenos grotescos a nadar. Por um hábito secular, têm como inviolável esse asilo. Quase não fogem ao homem, e ninguém devia ter o direito de lhes tocar nessa época de ternura.

Uma das mulheres mais ricas dos Estados Unidos, Madame Russell Sage, comprou na Luisiana a rocha de March Island para lugar de nidificação das aves perseguidas. É um refúgio no mundo. Daqui saúdo Madame Russell, ou a sua sombra, se já não existe. Se eu fosse rico, comprava também ao Estado as Berlengas para as aves marinhas fazerem os seus ninhos, livres da ferocidade humana, que não tem limites, e que até lá as vai procurar para lhes destruir a criação.

Entre todas estas aves, há porém umas, que vi no Baleal, que me interessaram extraordinariamente. São as galhetas, que começam a passar em Setembro. Ao escurecer ouvia entre o barulho da ressaca vozes baixinhas e agourentas de bruxedo. Eram as galhetas, que andam sempre aos bandos e pousam nas pedras, ao rés de água, para dormir. Como senhoras vizinhas, antes de fecharem o olho, conversam de pouso para pouso. Rumor mais alto, mais baixo… Uma risada.
– Que é? Que é? – ouve-se distintamente.
– Quem é? – E logo outra: – Matou-a! Matou-a! – Uma risada sarcástica e depois um coro: – Olá! Olá! – É noite – calou-se tudo, menos o mar, que fala sempre.»

Publicado por Sílvio Mendes

“É terça-feira e a Feira da Ladra…” (1): André Lwoff, um Nobel da Medicina por 50 cêntimos apenas


Escondido entre uma caderneta de cromos de futebol e um Livro de Mórmon, surge-nos a versão francesa de “L’ordre biologique – une synthèse magistrale des mécanismes de la vie”, de André Lwoff, Prémio Nobel da Medicina em 1965. Um verdadeiro achado que explora esse “tema fascinante: a vida”. Assim, sem tirar nem pôr, a Biologia e as suas bases.

É a nossa primeira partilha da nova rubrica É terça-feira e a Feira da Ladra… (título deliberadamente roubado à canção de Sérgio Godinho), que tem traços simples: descobrir e partilhar “pechinchas” (aviso: encontraremos livros, essencialmente) sobre ciência à venda na Feira da Ladra, em Lisboa.

Não fazemos revenda dos livros que descobrimos, mas estamos dispostos a oferecer os produtos aqui apresentados ao primeiro que se candidatar a levantá-lo em mãos. Em troca apenas pedimos conteúdos originais sobre ciência (fotografias, desenhos, vídeos, textos, etc…) que servirão, também eles, de alimento para este blogue.

O achado:
Título: l’ordre biologique – une synthèse magistrale des mécanismes de la vie
Editora: marabout université
Data de edição: 1970
(versão francesa)
Custou na Feira da Ladra: 0,5 euros

Publicado por Sílvio Mendes

A bola, a ciência e os Prémios IgNobel

No dia em que foram entregues os Prémios IgNobel 2011, o jornal A BOLA avança com uma ideia que, bem aproveitada, pode dar origem a uma investigação portuguesa com altas probabilidades de vencer esse troféu.

Título do artigo, na edição de hoje: «Rinaudo [jogador argentino do Sporting] é caso para a ciência». E continua assim: «Argentino tem dois corações e quatro pulmões».
Haverá algum investigador em Portugal disponível para Estudar o “Estranho-Caso-de-Rinaudo”?

Publicado por Sílvio Mendes